Página:Suspiros poéticos e saudades (1865).djvu/110
Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
100
SUSPIROS POETICOS
Arrastando-se ao cume de alto monte,Que o brioso animal vingar nem tenta.O mundo é sempre assim, é sempre o mesmo;Os esforços, os bens da sociedadeSão sempre para quem menos carece.
Entre estes arvoredos lá diviso Do Gigante da terraA Columna immortal, e a estatua egregia,Qu’inda parece ameaçar o mundo.Alli vejo domado, e curvo o orgulho Dos despotas dos povos. Alli a LiberdadeSentada está no carro da victoria,De louros coroada, mas sombria.Alli vejo de Deos a omnipotencia,Que ergue, quando lhe apraz, do pó um homem,Para calcar dos Reis o sceptro, e o orgulho.Alli vejo o valor, vejo a justiça;Grecia, e Roma alli vejo n’um só Genio!Seu corpo tem por tumulo um rochedo,Onde continuamente o Oceano chora;Seu grande nome a terra toda o sabe.