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SUSPIROS POETICOS
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Este recinto invadem.De quatro lados sete portas francas;E um só não vejo em vestes que o trabalho,E a indigencia assignalem.
Tentais embalde entrar: — ide-vos, pobres,Ide-vos, homens ao trabalho afeitos.Ergueram vossas mãos estas muralhas,Vossas mãos estas portas fabricaram, Que hoje ante vós se fecham;Com o vosso suor foi amassadaA terra, que estas arvores sustenta,Mas gozar não podeis da sombra d’ellas;Vós deveis sementar; outros que fruam.Aqui vós não entrais: — ide-vos, pobres.
Como reproba assim por toda parteCom desprezo se expulsa a indigencia, Feio crime entre os homens!Aquelle hontem beijava o pó da terra,Hoje á custa de usura, e latrocinio,Envernizado com pomposo nome, Grande, nobre se ostenta!Tal a serpente em torcicollos chega