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SUSPIROS POETICOS

   Tudo vês, tudo alcanças!Como é este logar tão limitado!Entretando o que o seu recinto abrange   Meus olhos não distinguem.

Esta columna d’agua impetuosa,Que compellida esguicha, e no ar se curva,   Pelo vento açoutada,De um lado e de outro lado vacillante.Como um branco pennacho aos ares sôlto,   E de poeira em fórmaCái, e tranquilla jaz no largo tanque;Representa, oh mortal, a historia tua!   Assim humilde nasces,Da terra assim te elevas arrojado,Assim te agita das paixões a furia,Assim pendes, e em pó no commum fossoDescanças, té que sôe a voz terrivelDo Archanjo do Senhor, no eterno dia.
Desde que no horizonte o sol fulgura,Té que a noite, e o silencio se annunciam,Ondas de homens sobre ondas incessantes