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SUSPIROS POETICOS
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Infeliz tenho sido até-gora,Que a meus olhos te mostras severa;    Nem gózo a ventura,    Que góza uma fera;Entretanto ninguem mais te adora.
Eu te adoro como o Anjo celeste,Que da vida os tormentos acalma;    Oh vida da vida,    Oh alma desta alma,Um teu riso sequer me não déste!
Minha lyra que triste resôa,Minha lyra por ti desprezada,    Assim mesmo triste,    Assim malfadada,Teu poder, teus encantos pregôa.
Oh belleza, meus dias bafeja,Em teu fogo minha alma devora;    Verás de que modo    Meu peito te adora,E que incenso offertar-te deseja.
Pariz, Março de 1836.