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VI

Aspiração


Deus, que os orbes regulas esplendentes
Em numero e medida ponderados,
Nelles abrigo dás aos desterrados,
Que se vão suspirosos e plangentes.

Assim, dos céos ás vastidões silentes.
Ergo os meus pobres olhos fatigados.
Indagando em que mundos apartados
Lenitivo á saudade nos consentes.

Breve, Senhor, do carcere d’argilla
Hei de evolar-me, murmurando ancioso
Timida prece : digna-te d’ouvil-a.

Põe-me ao pé do Cruzeiro majestoso,
Que no antarctico céo vivo scintilla,
Fitando sempre o meu Brasil saudoso!