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— Bravo! bravo! exclamou Faustino.
— Tive bastante presença de espirito para fingir uma especie de alegria de comedia; e a minha impertinente namorada declarou-me, que havia confiado o segredo do nosso amor a seu irmão, que o approvára, e que a trouxera para a cidade a fim de não vê-la morrer de saudades. Fiquei sem sangue nas veias, e sem saliva na boca! o irmão da furia era um monstro, um machacaz, um brutamonte, um Sansão.
— E depois?...
— Depois, Faustino?... ah! tu não sabes o que é uma mulher velha, quando lhe passa pela cabeça a idéa do casamento! a impertinencia de um mosquito, ou de um grilo em noite de verão, a rabeca de um barbeiro que mora defronte de nossa casa, o primeiro discurso de um deputado novo, que conta o como se fizeram as eleições na sua terra, um gato que passa noites inteiras miando no telhado bem em cima da nossa cama; uma mulher que casa em segundas nupcias e que leva todo o santo dia a fallar das virtudes de seu defuncto, e dos defeitos do seu segundo marido; o teimoso irmãozinho de uma moça bonita, que nos vem trepar pelas pernas acima, quando vamos fazer a nossa visita vestido de calça branca, tudo isto e mais ainda é um passatempo agradavel, é a bemaventurança cá na terra em comparação da tenacidade, com que nos persegue uma velha, em cuja cabeça entrou a idéa da possibilidade da casar-se comnosco!... sim! eu entendo que este negocio é muito serio: uma mulher que casa depois de ter feito cincoenta annos, é um anachronismo vivo de uma natureza morta! entendo que deve-se pôr cobro nisto: toda a velha que á força quizer casar-se, deve ser considerada criminosa, e como tal condemnada a criar pintos.