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minha idolatrada Bonifacia: fui obrigado a ter com ella uma entrevista, na qual por entre horriveis suspiros, e medonhos soluços, a minha apaixonada jurou, que jámais se esqueceria de mim, e prometeu-me que brevemente me causaria a mais agradavel sorpresa. Eu não disse palavra na entrevista: nunca me tinha visto tão perto de um bicho semelhante; o susto, o horror obrigou-me a ficar mudo e quedo, a ter toda a modestia possivel com Bonifacia, que attribuio o meu silencio á força da saudade e á dor da separação, e fallou por si e por mim: foi um solo de zabumba completo.
— Que monstro!...
— Quando senti-me livre d'aquella entrega, dei saltos de contente; tomei uma dessas respirações largas e consoladoras, que se tomão, depois de um pesadello horrivel, que nos atormentou durante o somno.
De Volta á cidade da Bahia, reunio-se o soberano conselho estudantal; cada um dos sete fez a historia de suas conquistas: mas ao escutar-se a relação de meus amores com a incomparavel Bonifacia, todos os meus companheiros curvaram-se diante de mim, como aos pés de um heróe, e o soberano conselho decretou unanimemente que eu fosse considerado como o bravo dos bravos, e o mais corajoso d'entre os sete.
— E acabou-se a historia.
— Qual! o peior, e ao mesmo tempo o mais interessante começa agora. Já eu estava esquecido desse episodio da minha vida de estudante, quando recebo um bilhete anonymo todo perfumado, e todo cheio de phrases ternas, no qual se me convidava para ir a uma casa, que me era designada. Um estudante não recúa: fui... bati... entrei, e, "oh! que não sei de nojo como o conte!" achei-me cara a cara com a Sra. Bonifacia.