Página:Rosa - romance brasileiro, t1 (nova ed.).pdf/41
— Quando vieste, Juca ? inquiria Faustino. Chegou o vapor ?... que novidades ha pelo Norte ?...
— Basta ! alto ! parem ahi !... não posso responder a tantas perguntas ao mesmo tempo : vamos por ordem.
— Quando chegaste ?
— Hoje, agora mesmo.
— Mas como é isto ?... deram-se as ferias !...
— Dei-as eu.
— Sempre a maldita vadiação !...
— Nego a consequencia ! exclamou o Juca rindo-se ás gargalhadas; Vms. todas, logo que passão dos cincoenta annos de idade, continuão a ter muito cuidado com a cabeça dos rapazes; mas a respeito do coração... nem pitada ! pois é um erro : um mancebo é uma machina de vapor : não duvido que a cabeça seja a valvula de segurança ; como porém o coração é a caldeira, preciso se faz ter tambem algum desvelo com ella.
— E teu pai, Juca, e teu pai?!!!
— Ahi vem Vm. com o pão nosso de cada dia do outro tempo !...
— Mas...
— Que mas, senhora?... o que foi o que me disse meu pai ?... Quando fiz dezoito annos, e me apresentei a elle com os meus preparatorios muito mal alinhavados, recebi umas poucas de cartas de recommendação, e estas palavras em despedida : — Tens sessenta mil réis de mezada, vai para a côrte estudar. — Estudar o que, meu pai ? perguntei eu — Ora essa é boa ! exclamou elle ; estudar o que ?... estudar os estudos !...— Montei no burrinho, puz-me na estrada, e fiquei nesta bella côrte estudando os meus estudos ; ninguem dirá que principiei mal : matriculei-me na escola de medicina.
— Sim... até ahi mostraste ser moço de juizo.