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pera ſermã que pera my: poꝛque a elles dais lhe pꝛoueito em ſeu offiçio, ⁊ a my pediſme o voſſo natural, couſa pera eu muito reçear: ⁊ a ella nam vos obedeçer, dado que digais quam bem vos pareçeo ó meu Darimudo quando foy ter com voſco em Maluco. Verdade ée que vospodia la enganar, poꝛ a linguagem da terra ſer tam barbara, q̃ a minha vos pareçeria elegante. Certo ſenhor, a mais razoáda linguagem que eu agoꝛa tinha, era honeſta eſcuſa: poꝛ muitas cauſas particulares q̃ empedem o que pedís. Peró como ſangue nam ſeroga: [ ⁊ mais em caſo tam juſto ⁊ honeſto como ée o ſeu propoſito ] nã quero que poſſam mais os meus inconueníentes, que ó ſeu mandado. E tambem ſe o nam fizer, temo que me ponhaes a tacha que Hoꝛaçio dáa aos muſicos. Nunca çeſſam de cantar, ⁊ rogados antre os amigos nam o querem fazer. Quando me ouuiſtes em Maluco, ſem rogo foy de alguē: poꝛque aquella ida de pera todas eſſas couſas tem licença. Ao pꝛeſente: [ Nom enim erubeſco euangelium: ] mais muſico ſom da bõa linguagem poꝛtugueſa: na oꝛelha que na voz. Peró doulhe que vos contente poꝛ ſerdes amiguo ⁊ ſangue: que farey, ou faremos ao juyzo de ſantos pareçeres com q̃ ſe julgã as obꝛas feytas na pꝛaça [ poꝛque nam pode ſer mais publica que Germam, pois dizeis que eſpera pollo que