Página:Quincas Borba.pdf/104

Esta página ainda não foi revisada
94
QUINCAS BORBA

94

QUINCAS BORBA

casa, que era na rua do Cano (Sete de Setembro), entrou no largo de S. Francisco de Paula; d'a!K desceu pela rua do Ouvidor. Ia com alguns cuidados; morava em casa de um amigo, que começava a tratal-o como hospede de três dias, e elle já o era de quatro semanas. Dizem que os de trez dias cheiram mal; muito antes d'isso cheiram mal os defuntos, ao menos nestes climas quentes... Certo é que o nosso Bubião, singelo como um bom mineiro, mas desconfiado como um paulista, ia cheio de cuidados, pensando em retirar-se quanto antes. Pôde crer-se que desde que sahiu de casa, entrou no largo de S. Francisco, e desceu a rua do Ouvidor ateados Ourives, não viu nem ouviu cousa nenhuma. Na esquina da rua dos Ourives deteve-o um ajuntamento de pessoas, e um prestito singular. Um homem, judicialmente trajado, lia em voz alta um papel, a sentença. Havia mais o juiz, um padre, soldados, curiosos. Mas, as principaes figuras eram dous pretos. Um delles, mediano, magro, tinha as mãos atadas, os olhos baixos, a côr íula, e levava uma corda enlaçada no pescoço; as pontas do baraço iam nas mãos de outro preto. Este outro olhava para a frente e tinha a côr fixa e retinta. Sustentava com galhardia a curiosidade publica. Lido o papel, o