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— 332 —

Que no mundo tiveste o berço um dia,
E n’outro a sepultura?

Ou foste só visão da fantasia,
Que em meus formosos sonhos de criança
Me fascinava a mente descuidosa
C’um raio de esperança?...

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Vai, fantasma querido, volta aos bosques
De nossa infancia, — ás verdes ribanceiras
Do ribeirão, que vio de nosso affecto
As emoções primeiras.

Debaixo d’esses céos de azul brilhante,
N’essas campinas de eternal verdura,
Dorme tranquilla aos placidos rumores
Que a solidão murmura.

Lá vá de tarde o sabiá sozinho
Saudoso modular tristes endeixas;
E nos burityraes24 gemendo a briza
Susurre eternas queixas.

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