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Não te cingirei de louros,
Nem de capellas de flores,—
Vai morrer abandonada,—
Pobre lyra dos amores!

Embora eu fique isolado,
Sem echo minh’ alma ardente!
Em segredo devorando
Quanta dor meu peito sente!

Como a nuvem passageira,
Como um raio fugitivo,
Ou da lampada sagrada
Triste clarão semi-vivo!

Como a nota derradeira
Do hymno mysterioso!
Que ao sol posto canta a virgem
Pelo seu bosque saudoso!

Como a voz do peregrino
Trepando a serra escalvada,—
Lé, cantando.... muito ao longe
Alguma doce toada!