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Eu irei rever nas agoas
Teu reflexo peregrino,—
E soletrar nos teus raios
Algum mysterio divino!

Irei ás brisas da noite
Descantar nossos amores,—
Dizer-lhe que abres no céo,
Como a rosa abre entre’ as flores.

Irei viver nos desertos,
Povoado o pensamento!
Irei curtir os desejos,
Tendo no seio o tormento!

Irei sentar-me na fraga
Do caminho abandonado,—
Peregrino de uma esperança
Sobre a terra desterrado!

E tu, que os tres Reis guiaste
Para o berço d’um Menino,—
Guiarás tambem minh’ alma
Para o seu throno divino!

 

Natal de 1844.