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Eu vivo como a folha do salgueiro.
Do tronco, pelos ventos, arrancada;
Pobre folha, que vaga pelos ermos
Sem destino, sem rumo, abandonada!
Quando sinto o gemer d’alguma fonte,
Da brisa, entr’ as ramas, o carpir.
Minha mãe se me affigura, que me chama!
É de meu pae a voz, que eu julgo ouvir!
E vou sentar-me triste e pensativa
A porta solitaria do meu lar;
Os sonhos do passado me acalentam,
Mas saudades me vem desenganar.
Não conheço ninguem n’este deserto,
Por companhia tenho os prantos meus!
A imagem de meu pae, que me contempla!
E minha mãe, que me chama lá dos Céos!
Um farol d’esp’rança inda me guia !
A morte!... a morte! sim! quero morrer!
A vida é para amor, é p’ra ventura,
A pobre orphã não sabe o que é viver!