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Essa chamma!... o genio!—esse beijo
Que na fronte do poeta Deos pousou,
Onde a immortalidade escripta vejo,
Nos cantos que o Eterno lhe inspirou?!

Deixa-o só n’alta rocha meditando,
Não perturbes o canto ao trovador!
Deixa-o a sua harpa alli vibrando,
Chorar amargos prantos, negra dôr!

Depois tremulas mãos erguer ao Céo;
A sancta inspiração raiar na mente!
D’altos mysterios lhe desdobra o véo;
Deos eterno, — Senhor Omnipotente!

Eis que o Bardo ajoelha no penedo!
Ondeam-lhe os cabellos com a aragem,
Tem por pedestal amplo rochedo:
Oh! propheta de Deos! sagrada imagem!

Que silencio! — não vades perturbar
Do Bardo extatico — a admiração!
Deixai-o só com Deos a meditar—
Pelo espaço dos céos—n’amplidão!