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E eras um anjo? — Não eras,
Que os anjos não teem maldade,
Mate de tantos enlevos,
Mixto de tanta vaidade!

Proferio a bôcca fallaz,
O que eu não disse a ninguem,
Eras um astro d’esp’rança,
De formosura tambem!

Nos teus olhos côr da noite
Quem não via a luz do céo?
Vago lume das estrellas
A brilhar por entre um véo?!

Mas o fatal desengano
Quebrou celeste illusão;
Calcaste, rainha de um peito,
O throno do meu coração!

Venceste?!—Canta a victoria,
É tão doce o triumphar!...
Guarda p’ra ti os remorsos,
Que a mim me fica o penar.