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Quando as nuvens de mil cores
O berço enfeitam d’aurora;
Que das florinhas recolhe
O pranto, que a noite chora;
Secca-me o pranto dos olhos.
Ancia, que o peito devora!

Mas se uma brisa fagueira
Vem trazer-me a viração,
Como uma chuva de gêlo
Na cratera d’um volcão;
Eu sinto bater mais brando,
Docemente o coração! —

Depois de magoas sem fim,
Depois d’atroz padecer,—
Depois de negros tormentos,
Longas horas de gemer,
Sem a dor que me consome
Na minha alma adormecer:—

Ainda eu tenho no peito
Uma crença verdadeira,
Um farol de viva luz,
Uma esp’rança derradeira:
No livro da minha sina
Uma pagina inteira!

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