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Na primeira tua folha
Não sou eu afortunado!
′Bem-me-quer!’ diz a segunda;
Folga, peito, que és amado!
A terceira diz o ′muito’,
A uma e uma vou contando;
Esta alegre me sorrindo,
Aquella triste esfolhando.
Assim é a vida minha !
Já despresos, — já carinhos:
Hoje grinalda de rosas,
Amanhã corôa d’espinhos!
E contei, — e contei todas,
Acabou dizendo ′nada’
Cada folha era uma esp’rança!
Triste vida, — malfadada!
Fui buscar a minha sina
Nos segredos d’esta flor,
Deparei o meu tormento,
Aonde queria achar amor!
1845.