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LIVRO BOM

Só, no seu quarto. É’meia noite. A vela
Váe se extinguir... No cerebro escaldado,
Na ancia do Bem-Fazer, todo o cuidado,
Em luta com o cançaço, apenas véla...

Talvez um Poeta. E que vizão é aquella?
— É a que elle formou: — Envenenado
Morre o alchimista pelo Ideal sonhado..
Silencio... a forja é fria... o catre gela.

Sobre um pantano putrído e nojento,
Boia um pennacho côr do firmamento...
Longe, um cavallo que desapparece...

Uma donzella num caixão descança:
Os cyrios ardem... ha rumor de prece...
— Ideal enganador, ai! quem te alcança?...