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A JORNADA DE UM POETA
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Deixando um fundo traço no terreiro,
Passa em corcel de clina solta ao vento,
Um athletico, intrepido guerreiro.

No elmo — um pennacho côr do firmamento,
No broquel cinzelado — signo estranho,
Ao sol luzindo, num deslumbramento,

Com tanto brilho, com fulgor tamanho,
Que as borboletas batem de offuscadas
Nas laminas de prata, de aço e estanho!

Sob o seu passo alargam-se as estradas,
A relva morre, traça-se um caminho,
A poeira sóbe em ondas revoltadas,

As folhas sêccas vão num torvelinho
Revoando atraz do Cavalleiro Errante...
E a flor desfaz-se, fóge o passarinho!

Fulgura a larga folha do montante,
Pesada e presa á fulgida loriga,
Nos estribos batendo, tilintante.

« — Cavalleiro, que idéa assim te obriga
«A deixar a fronteira de teus lares,
Para que a Sorte affrontes, inimiga?