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I
Verona acorda ao vir do sol da bella Italia:
Pompeiam pela veiga o rainunculo e a dhalia!
Desfaz-se o ninho em som, em perfumes o ambiente;
Das altas chaminés um bafo escuro e quente
Espirala-se no ar! Aves cruzam-se ás mil,
E o pacifico armento abandona o redil.
Lampejam os vitráes e as cupolas de ardósia,
E a lympha do Adge escorre, á luz do Oriente, rósea!
As áscuas de Chryseu afundam na espessura
Arabescando de ouro a trama verde-escura!
De uma torre de igreja um sino devagar
Pende pesadamente e dobra a badalar,
Revôando uma alva pomba a cada nota quérula
A bater azas pelo espaço côr de perola,
Como uma prece alada ao claro céo subindo!
— Salve, formoso sol, ao teu fulgor infindo
A Natureza inteira é um cantico de amor
E te envia para o alto um beijo em cada flor!
Sê mil vezes bemdito, ó causa dos crepusculos,
Rejuvenescedor das fibras e dos musculos,
Manda-nos por igual a tua luz, e banha
O valle humilde, a selva, as grimpas da montanha,
Sonho de ouro eternal pelo infinito a arder,
Vida eterna! Ouro eterno! Infinito prazer!