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PHARÓES


A luz que os revestia e alimentava
Tinha o fulgôr das ardentias vagas,
Um demonio noctambulo espiava
De dentro d’elles como de igneas plagas.

E os olhos caminhavam pela treva
Maravilhosos e phosphorecentes...
Emquanto eu ia como um ser que léva
Pezadellos phantasticos, trementes...

Na treva só os olhos, muito abertos,
Seguiam para mim com magestade,
Um sentimento de crueis desertos
Me apunhalava com atrocidade.

Só os olhos eu via, só os olhos
Nas cavernas da treva destacando:
Pharóes de augurio nos feraes escolhos,
Sempre, tenazes, para mim olhando...

Sempre tenazes para mim, tenazes,
Sem pavôr e sem medo, resolutos,
Olhos de tigres e chacaes vorazes
No instante dos assaltos mais astutos.

Só os olhos eu via! — o corpo todo
Se confundia com o negrôr em vólta...
Ó allucinações fundas do lodo
Carnal, surgindo em tenebrosa escólta!