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PHARÓES
Todas as ironias suspirantes
Que ondulam no ridiculo das vidas,
Caricaturas tetricas e errantes
Dos malditos, dos réos, dos suicidas;
Toda essa labyrinthica nevrose
Das virgens nos romanticos enleios;
Os occasos do Amor, toda a chlorose
Que occultamente lhes lacera os seios;
Toda a morbida musica plebéa
De requebros de faunos e ondas lascivas;
A langue, molle e morna melopéa
Das valsas alanceadas, convulsivas;
Tudo isso, n’um grotesco desconforme,
Em ais de dor, em contorsões de açoites,
Revive nos violões, acorda e dorme
Através do luar das meias-noites!