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Typos intonsos, esgrouviados, tortos,
Das luas tardas sob o beijo niveo,
Para os enterros dos seus sonhos mortos
Nas queixas dos violões buscando allivio;
Corpos frageis, quebrados, doloridos,
Frouxos, dormentes, adormidos, langues,
Na degenerescencia dos vencidos
De toda a geração, todos os sangues;
Marinheiros que o mar tornou mais fortes,
Como que feitos de um poder extremo
Para vencer a convulsão das mortes,
Dos temporaes o temporal supremo;
Veteranos de todas as campanhas,
Enrugados por fundas cicatrizes,
Procuram nos violões horas estranhas,
Vagos aromas, candidos, felizes.
Ebríos antigos, vagabundos velhos,
Torvos despojos da miseria humana,
Tem nos violões secretos Evangelhos,
Toda a Biblia fatal da dor insana.
Enxovalhados, tabidos palhaços
De carapuças, mascaras e gestos
Lentos e lassos, lubricos, devassos,
Lembrando a florecencia dos incestos;