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PHARÓES
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Como me embala toda essa pungencia,
Essas lacerações como me embalam,
Como abrem azas brancas de clemencia
As harmonias dos violões que falam!

Que graça ideal, amargamente triste,
Nos languidos bordões plangendo passa...
Quanta melancolia de anjo existe
Nas Visões melodiosas dessa graça...

Que céo, que inferno, que profundo inferno,
Que ouros, que azues, que lagrimas, que risos,
Quanto magoado sentimento eterno
Nesses rythmos tremulos e indecisos...

Que anhelos sexuaes de monjas bellas
Nas ciliciadas carnes tentadoras,
Vagando no recondito das cellas,
Por entre as ancias dilaceradoras...

Quanta plebéa castidade obscura
Vegetando e morrendo sobre a lama,
Proliferando sobre a lama impura,
Como em perpetuos turbilhões de chamma.

Que procissão sinistra de caveiras,
De espectros, pelas sombras mortas, mudas...
Que montanhas de dor, que cordilheiras
De agonias asperrimas e agudas.