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Subtis palpitações á luz da lua,
Anceio dos momentos mais saudosos,
Quando lá choram na deserta rua
As cordas vivas dos violões chorosos.
Quando os sons dos violões vão soluçando,
Quando os sons dos violões nas cordas gemem,
E vão dilacerando e deliciando,
Rasgando as almas que nas sombras tremem.
Harmonias que pungem, que laceram,
Dedos nervosos e ageis que percorrem
Cordas e um mundo de dolencias geram,
Gemidos, prantos, que no espaço morrem...
E sons soturnos, suspiradas magoas,
Magoas amargas e melancolias,
No sussurro monotono das agoas,
Nocturnamente, entre ramagens frias.
Vozes velladas, velludosas vozes,
Volupias dos violões, vozes velladas,
Vagam nos velhos vortices velozes
Dos ventos, vivas, vans, vulcanisadas.
Tudo nas cordas dos violões echoa
E vibra e se contorce no ar, convulso...
Tudo na noite, ludo clama e vôa
Sob a febril agitação de um pulso.