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PHARÓES
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Cinza que cáe nas almas, que as consome,
Que apaga toda a flamma,
Infinito crepusculo sem come,
Voz morta á voz que a chama.

Harpa da noite irmã do Imponderavel,
De sons langues e enfermos,
Que Deus com o seu mysterio formidavel
Faz calar pelos êrmos.

Solidão de uma plaga extrema e núa,
Onde tragica e densa
Chóra seus lyrios virginaes a lua
Lividamente immensa.

Silencio dos silencios suggestivos,
Grito sem écho, eterno
Sudario dos Azues contemplativos,
Florecencia do Inferno.

Esquecimento! Fluido estranho, de ancias,
De negra magestade,
Soluço nebuloso das Distancias
Enchendo a Eternidade!