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PHARÓES
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Sangue coalhado, congelado, frio,
Espasmado nas veias...
Pesadelo sinistro de algum rio
De sinistras sereias...
Alma sem rumo, a modorrar de somno,
Molle, turbida, lassa...
Monotonias lubricas de um mono
Dançando n’uma praça...
Mudas epilepsias, mudas, mudas,
Mudas epilépsias,
Masturbações mentaes, fundas, agudas,
Negras nevrostenias.
Flores sangrentas do soturno vicio
Que as almas queima e mórde...
Musica estranha de lethal supplicio,
Vago, mórbido accorde...
Noite cerrada para o Pensamento,
Nebuloso degredo
Onde em cavo clangor surdo do vento
Rouco pragueja o medo.
Plaga vencida por tremendas pragas,
Devorada por pestes,
Esboroada pelas rubras chagas
Dos incendios celestes.