Página:Pharóes.pdf/38
Envelheceste para os vãos idyllios,
Para os estranhos estremecimentos,
Para os brilhos iriantes dos teus cilios
E para os sepulchraes esquecimentos.
Envelheceste para os vãos amores,
E para os olhos, para as mãos que abrias
Como dous talismans de brancas flôres
E de leves e doces harmonias...
Presa, sem ar, sem sol, crepusculada
No celibato que não tem perfume
De todo envelheceste abandonada,.
Já como um ser que não provóca ciume.
Envelhecer é reduzir a vida
A sentimentos de tristeza austéra,
Enclausural-a n’uma grave ermida
De luto e de silencio sem chiméra.
E envelhecer na juventude flórea,
Do celibato emmurchecido lyrio,
É ficar sob os pállios da illusória
Melancholia, como a luz de um cyrio...
Envelhecer assim, virgem e forte,
É cerrar contra o mundo a rósea porta
Do Amor e apenas esperar a Morte,
A alma já muda, ha muito tempo morta.