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PHARÓES


Presa, fechada pela atroz mordaça
Dos fundos desesperos da Desgraça.

Eis que lembro os teus olhos visionarios
Cheios do fél de barbaros Calvarios.

E o teu perfil azas abrir parece
Para outra Luz onde ninguem padéce...

Com doçuras feéricas e meigas
De Satans juvenis, ao luar, nas veigas.

E o teu perfil fórma um saudoso vulto
Como de Santa sem altar, sem culto.

Fórma um vulto saudoso e peregrino
De força que voltou ao seu destino.

De ser humano que soffrendo tanto
Purificou-se nos Azues do Encanto.

Subio, subio e mergulhou sósinho,
Desamparado, no lethal caminho.

Que lá chegou transfigurado e aéreo,
Com os aromas das flores do Mysterio.

Que lá chegou e as mortas portas mudas
Fez abalar de imprecações agudas...

E váe e váe o teu perfil ancioso,
De ondulações phantasticas, brumoso.