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E a sombra rubra que te váe seguindo
Tambem parece ir soluçando e rindo.
Ir soluçando, de um soluço cavo
Que dos venenos traz o torvo travo.
Ir soluçando e rindo entre vorazes
Satanismos diabolicos, mordazes.
E eu já nem sei se é realidade ou sonho
Do teu perfil o divagar medonho.
Não sei se é sonho ou realidade todo
Esse accordar de chammas e de lodo.
Tal é a poeira extrema confundida
Da morte a raios de ouro de outra Vida.
Taes são as convulsões do ultimo arranco
Presas a um sonho celestial e branco.
Taes são os vagos circulos inquiétos
Dos teus gyros de lagrimas secrétos.
Mas, de repente, eis que te reconheço,
Sinto da tua vida o amargo preço.
Eis que te reconheço escravisada,
Divina Mãe, na Dôr acorrentada.
Que reconheço a tua bocca presa
Pela mordaça de uma sêde accêsa.