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A lua dava sensações inquiétas
A’s paisagens avernicas em torno
E alguns demonios com perfis de ascetas
Dormiam no luar um somno morno...
Foi por horas de Scysma, horas ethéreas.
De magia secreta e triste, quando
Nas lagoas lethificas, sidéreas,
O cadaver da lua vae boiando...
Foi n’uma d’essas noites taciturnas
Que o velho Diabo, sabio d’entre os sabios,
Desencantado o seu poder das furnas,
Com o riso augusto a flammejar nos labios,
Formou a flor de encantos exquisitos
E de essencias esdruxulas e finas,
Pondo n’ella oscillantes infinitos
De vaidades e graças femininas.
E deu-llie a quintessencia dos aromas,
Sonoras harpas de alma, extravagancias,
Pureza hostial e púbere de pômas,
Toda a melancolia das distancias...
Para haver mais requinte e haver mais viva,
Doce belleza e original caricia,
Deu-lhe uns toques ligeiros de ave esquiva
E uma aureola secreta de malicia.