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Branca, surgindo das vermelhas chammas
Do Inferno inquisidor corrupto e langue,
Ella lembrava, Flor de excelsas famas,
A Via-Lactea sobre um mar de sangue.
Foi n’um momento de saudade e tédio,
De grande tédio e singular Saudade,
Que o Diabo, já das culpas sem remedio,
Para formar a egrégia magestade,
Gerou, da poeira quente das areias
Das praias infinitas do Desejo,
Essa langue sereia das sereias,
Desencantada com o calor de um beijo.
Sobre galpões de sonho os seus palacios
Tinham bizarros e galhardos luxos.
Mais grave de eloquencia que os Horacios,
Vivia a vida dos perfeitos bruxos.
Somno e preguiça, mais preguiça e somno,
Luxurias de nababo e mais luxurias,
Molles coxins de languido abandono
Por entre estranhas florações purpureas.
Ás vezes, sob o luar, nos rios mortos,
Na vaga ondulação dos lagos frios,
Boiavam diabos de chavelhos tortos,
E de vultos macabros, fugidios.