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PHARÓES
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Vólta, recórda eternamente, vólta
Aos pharóes da Esperança,
Do Sonho estranho as grandes azas sólta
Á celeste Bonança.
Recórda mágoas, lagrimas e risos
E soluços e anceios...
Revive dos nevoeiros indecisos
E dos vãos devaneios.
Revive! Gósa! Desolado, embóra,
Sorrindo e soluçando,
Erguendo os véos de já passada aurora,
Recordando e sonhando...
Cada alma tem seu intimo recato
N’uma estrella perdida
E cada coração intemerato
Tem na estrella uma vida.
Applica o ouvido á correnteza fria
Dos golphões da materia
E recórda de que lama sombria
É composta a miséria.
Recórda! Sonha! Nas estrellas érra,
Beduino do Espaço.
Aos sonhos brancos, que não são da Terra,
Dá, sorrindo, o teu braço...