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ideias de canario
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Logo que olhei para elle, entrou a saltar mais, abaixo e acima, de poleiro cm poleiro, como se quizesse dizer que no meio d’aquelle cemiterio brincava um raio de sol. Não attribuo essa imagem ao canario, senão porque falo a gente rhetorica; em verdade, elle não pensou em cemiterio nem sol, segundo me disse depois. Eu, de envolta com o prazer que me trouxe aquella vista, senti-me indignado do destino do passaro, e murmurci baixinho palavras de azedume.

— Quem seria o dono execravel d’este bichinho, que teve animo de se desfazer d’elle por alguns pares de nickeis? Ou que mão indifferente, não querendo guardar esse companheiro de dono defunto, o deu de graça a algum pequeno, que o vendeu para ir jogar uma quiniella?

E o canario, quedando-se em cima do poleiro, trillou isto:

— Quem quer que sejas tu, certamente não estás em teu juizo. Não tive dono execravel, nem fui dado a nenhum menino que me vendesse. São imaginações de pessoa doente; vai-te curar, amigo...

— Como? interrompi eu, sem ter tempo de ficar espantado. Então o teu dono não te vendeu a esta casa? Não foi a miseria ou a ociosidade que te trouxe a este cemiterio, como um raio de sol?

— Não sei que seja sol nem cemitcrio. Se os canarios que tens visto usam do primeiro desses nomes,