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III.


RANTAINE.


Quarenta annos antes da época em que se passam os factos que narramos, havia em um arrabalde de Paris, entre a Fosse-aux-Loups e a Tombe-Issoire, um albergue suspeito. Era uma casinha isolada e baixa. Morava ahi com a mulher e o filho, uma especie de burguez bandido, antigo escrevente de tabellião no Chatelet, e ao depois ladrão descarado. Já havia figurado no tribunal criminal. O appellido da familia era Rantaine. No referido pardieiro, em cima de uma commoda de mogno, viam-se duas chicaras de porcelana pintada: em uma dellas lia-se em letras douradas o seguinte distico—lembrança de amizade; na outra—signal de estima. A criança vivia ali na lama de parceria com o crime. Como o pae e a mãe pertenciam á burguezia mediana, o menino aprendia