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os que de uma ou outra maneira parecem ter sido formados de modo diverso ou em condições diferentes. Por principaes entendemos aquelles cujo volume faz presup- por o concurso de uma agglomeração maior de individuos, ou periodicamente ou por uma estada mais prolongada. Desde já confessamos que, a nosso ver, só ha uma explicação para a formação destas ostreiras. Acreditamos que todos as da costa de S. Paulo tiveram uma e a mesma origem artificial, e esperamos que a exposição das nossas observações tornará plausivel este modo de ver. Nada observámos que possa dar logar á hy- pothese de uma formação natural e sem o auxilio do homem. Todavia tóo queremos negar a priori a plausibilidade de tal hypo- tese em relação a outros sambaquis que se acham em logares e em condições por nós ignoradas. Sambaquis do primeiro eentro. O primeiro sambaqui que explorámos, em 1884, foi o da ilha do Casqueiro, no rio do mesmo nome,* perto da cidade de Santos. Esta ilha é formada de duas elevações, apresentando a forma de uma sella. Foi a elevação menor que os indios occuparam para morada, e onde se acha o sambaqui em questão. Esta parte da ilha tem pouca vegetação e apresenta a rocha viva; além disso está orientada para o Norte, de modo que estavam aqui abrigados dos ventos frios do Sul, e que talvez determinou a escolha deste logar. Este sambaqui estava quasi destruido quando alli chegámos. Entretanto podemos verificar que estendia-se sobre uma area de cerca de 1200 m. q. assentada directamente sobre a rocha viva, na ponta ou lombada NE da ilha. A espessura da camada attinge a 1,5 metros, ao passo que em alguns logares só chega a 20 centimetros, mesmo em logares do centro. Este facto parece de vido ás irregularidades da rocha, que determinaram maior agglo- meração. — 20 — ader>