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OS NOIVOS
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— Oh! suggeril-o, ao senhor, que conhece o latim! interrompeu de novo o bravo, com um sorriso que era meio ignobil e meio feroz. Isso é lá com o senhor. E sobretudo, que não lhe escape uma só palavra sobre este aviso que lhe damos para seu bem, do contrario... hum... seria como si fizesse o casamento. Vamos, que quer que diga de sua parte ao Illustrissimo senhor D. Rodrigo ?

— Meus respeitos...

— Explique-se melhor.

— ... Disposto... sempre disposto á obediencia.

E pronunciando estas palavras, elle não sabia mesmo si fazia uma promessa ou um cumprimento. Os bravi as tomaram ou paraceram tomal-as no sentido mais serio.

— Muito bem, e boa noite, senhor cura, disse um delles, prompto para partir com o seu companheiro. D. Abbondio, que poucos momentos antes teria dado um de seus olhos para evital-os, desejaria agora prolongar a conversação e as confidencias. « Senhores » começava elle a dizer, fechando o livro em suas mãos; mas elles, sem querer escutal-o mais, afastaram-se cantando uma vil canção que não queremos transcrever. O pobre D. Abbondio ficou um momento estupefacto e como possuido de um encantamento; depois tomou dos dois trilhos o que conduzia á sua casa, pondo penosamente uma perna diante da outra, tanto pareciam atacadas de caimbra. Quanto ao estado em que se achava interiormente, comprehender-se-á melhor quando houvermos dito alguma cousa de seu caracter e dos tempos em que lhe fora dado viver.

D. Abbondio (já o leitor deve ter percebido) não havia nascido com um coração de leão. Mas desde os