Página:Os noivos (v.1).pdf/30

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
12
OS NOIVOS

bravi alguma sahida do caminho para a direita ou para a esquerda, e lembrou-se logo de que nenhuma havia. Fez um rapido exame de suas lembranças para procurar si commettera algum peccado contra qualquer homem poderoso, contra qualquer homem vingativo; mas mesmo no meio de sua perturbação o testemunho consolador da sua consciencia o tranquillisava até certo ponto. Entretanto os bravi se approximavam, com os olhos cravados nelle.

 

O cura levou o index e o dedo medio ao collarinho como para endireital-o, e, fazendo circular esses dedos ao redor do pescoço, inclinava, ao mesmo tempo, a cabeça para traz, crispava a bocca e procurava ver com o canto do olho, tão longe quanto era possivel, si não apparecia alguem. Mas não viu ninguem. Lançou uma olhadella por cima do muro sobre os campos ninguem. Fez um novo e timido avanço : ninguem além dos bravi. Que fazer? Voltar sobre seus passos? Já não era tempo. Fugir? era como dizer: persegui-me, ou peior ainda. Não podendo esquivar-se ao perigo, correu a elle, porque os momentos dessa incerteza eram agora tão penosos que elle não pensava mais sinão em abrevial-os. Apressou os passos, recitou un versiculo em voz mais alta, compoz sua physionomia para tanta calma e affabilidade quanto fosse possivel, fez todos os esforços para preparar um sorriso e quando se achou face a face com os dois sujeitos, disse mentalmente — aqui estamos — e parou subitamente.

 

— Senhor cura, disse um dos dois, olhando fixamente o seu rosto.

 

— Que deseja o senhor? respondeu logo D. Abbondio, levantando os olhos do livro, que ficou in-