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INTRODUCÇÃO
IX

vamos por isto em duvida. Opportunamente citaremos alguns desses testemunhos, para justificar as asserções que pela sua extranheza poderiam dar logar a contestações.

Mas, rejeitando como imprestavel o estylo do nosso auctor, qual deveria ser o estylo a adoptarmos? Aqui estava a difficuldade.

Quem se mette, sem ser solicitado, a refazer trabalhos alheios, expõe-se a produzir uma copia estreita dos mesmos trabalhos e contráe de certo modo a obrigação de fazel-o: é isto uma norma de facto e de direito á qual não pretendemos esquivar-nos. Assim, para mostrar que a ella nos conformavamos de bom grado, entendemos dever explicar minuciosamente porque nos servimos do estylo empregado em nossa obra; e para esse fim tivemos sempre em vista, durante o nosso trabalho, prever as objecções da critica para rebatel-as de antemão.

Não está, pois, nisto a difficuldade, visto como (devemos dizel-o por amor da verdade) não nos occorreu objecção alguma a que não pudessemos oppor uma réplica victoriosa, uma resposta que, si não resolve a questão, pelo menos a transforma. Por vezes tambem, approximando duas objecções, faziamos que uma batesse a outra, e aprofundando-as mais e analysando-as attentamente. chegavamos a descobrir e a provar que, embora oppostas na apparencia, eram da mesma natureza e provinham ambas de não haverem sido estudados os factos e principios em que se deviam ter baseado; e depois de termol-as inopinadamente acareado, as mandavamos com Deus pelo mesmo