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INTRODUCÇÃO
VII

da narrativa, a não ser que tal critico seja desprovido de toda philosophia, porque as pessoas versadas nesta materia verão que nada falta á essencia da mesma narrativa. Assim, é cousa evidente, innegavel, não serem os nomes sinão mero accidente. »

A primeira idéa que me assaltou quando venci a colossal tarefa de traduzir esta historia do apagado e, arrevesado autographo, foi si, depois de haver conseguido dal-a á luz, como hoje se diz, poderia encontrar alguem que se désse ao trabalho de a ler.

Esta reflexão dubitativa, nascida do trabalho de decifrar garatujas tão cheias de complicações, fez-me suspender a copia e pensar mais seriamente no que convinha fazer. É bem verdade, dizia eu commigo, que esta saraivada de conceitos não infesta toda a obra. O bom conceitista quiz começar ostentando seus talentos; mas, no curso da narração e mesmo em longos trechos o estylo é mais natural e mais chão. Sim! mas como é desigual! como é trivial! como é enfadonho! Idiotismos lombardos, phrases arrevesadas, grammatica arbitraria, periodos manquejantes, de par com elegancias hespanholas aqui e alli, e o que é peior ainda, nas passagens mais terriveis e mais tocantes da historia, em toda a occasião de excitar assombros ou de fazer pensar, em tudo que demandaria um pouco de rhetorica, mas rhetorica discreta, fina, de bom gosto, e não da que este senhor empregou a principio. E então reune, com rara habilidade, as qualidades mais oppostas, acha meio de ser conjunctamente tosco e affectado, na mesma pagina, no mesmo periodo, no mesmo vocabulo. Ha declamações empha-