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de um modo formalmente directo as doutrinas de Colombo, nem as lendas maravilhosas que, depois da desapparição do mar Tenebroso, não faziam senão excitar os navegadores a procurarem no Occidente as ilhas paradisiacas de que S. Brandão voltára com as vestes rescendentes a celestiaes perfumes. O que se oppunha simplesmente á resolução do problema era a immensidade do Occeano, que parecia confirmada exactamente pelas navegações portuguezas. Navegara-se durante annos e ainda se não chegara ao sul da Africa. Quanto tempo teria de se navegar para se chegar á India! Embora! exclamava Toscanelli, um dos enthusiastas da escola colombina, porque, se lá não chegardes em breve, encontrareis disseminadas pelo Occeano centos e centos de ilhas e de archipelagos que servem de guarda avançada ao grande continente oriental. Sonho de visionario! dizia-se e Colombo era repellido. Mas Colombo persistiu e foi elle que rompeu o encanto, elle e só elle que por ninguem poderia ter sido precedido, porque, se o fosse, tinham caido por terra todas as objecções, visto que o problema estava reduzido a este simplissimo termo: atravessar o Occeano e encontrar terra a distancia a que cheguem os viveres de uma caravela. O primeiro que o conseguisse tinha quebrado o feitiço, tinha desvendado o mysterio. Portuguez, francez, hespanhol ou italiano, seria a sua volta saudada pelas acclamações