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que tinham passado despercebidas, outros que algum dos reis com quem elle tratara, D. João II por exemplo, não ignoravam que havia terras para o occidente a grandissima distancia da Europa, porque a essas terras já um portuguez aportara, mas estavam convencidos que essas terras não eram a India, e n’isso, accrescenta-se, eram elles que tinham razão e não Colombo.

É mal posto o problema: que se poderia chegar á Asia indo-se pelo occidente, raros seriam os homens de alguma instrucção que o podessem pôr em duvida. A idéa da esphericidade da terra já penetrara em todos os espiritos, e a sua consequencia natural era que pelo occidente se poderia chegar ao oriente. Que devia haver terras para o occidente era por conseguinte egualmente incontestavel. A questão toda estava exclusivamente na distancia.

D. João II não julgava Colombo um visionario por elle lhe dizer que pelo occidente se chegaria á India, julgou-o um visionario por elle suppôr que poderia atravessar para chegar ao seu destino a enorme extensão dos mares. Não o suppoz visionario por elle cuidar que encontraria terras ao occidente, ainda que essas terras não fossem a India, suppôl-o visionario por elle imaginar que teria tempo de chegar a essas terras a salvamento. Logo, se Jean Cousin ou João Vaz Côrte Real tivessem realisado essa façanha, estavam dissipadas todas as duvidas.