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do seu dominio, estabelecesse no tratado de Tordesillas um artigo transitorio que sacrificava, sem uma palavra de cedencia ao menos, terra descoberta por Portuguezes; agora mostraremos apenas que tudo é falso no que se allega com relação ao descobrimento de João Vaz Côrte Real. A falta de seriedade historica do auctor da Historia Insulana, Antonio Cordeiro, não deixára de impressionar os que mais se interessavam por essa reinvidicação portugueza, mas reanimava-os um pouco o verem que a noticia já Antonio Cordeiro a encontrára em Gaspar Fructuoso, auctor das Saudades da terra; mas Gaspar Fructuoso pertence tambem ao grupo d’aquelles historiadores que entendem que são licitas as mentiras quando d’ellas pode resultar a glorificação de um paiz, principio leviano contra o qual protestamos quando Villaut de Bellefond o aproveita contra nós e em beneficio da Normandia, mas que nos parece bem quando redunda em nosso favor. Gaspar Fructuoso, apesar de ter um merito superior ao do seu desastrado copista que outra coisa não é Antonio Cordeiro, não deixa de ser um auctor que acceita todas as lendas quando as reputa honrosas para os seus heroes.[1] Ora Antonio Cordeiro diz que em 1464 foram dadas as capitanias da ilha Terceira a Alvaro Martins

  1. Os Côrtes-Reaes, pag. 61.