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energica phrase de Fernão Lopes, combater contra os cavalleiros vestidos de ferro, manifestava na peninsula hispanica uma nova força social, a mesma que dera aos yeomen inglezes a victoria sobre a cavallaria feudal da França, e aos montanhezes suissos a victoria sobre a cavallaria aristocratica de Carlos o Temerario. Nunca houve uma efflorescencia tão notavel de bravura e de talento, de genio aventuroso e de dedicação patriotica, nunca estiveram em tão continua vibração todos os nervos e todos os musculos de um organismo nacional. Quando acabou a lucta, depois de ter insculpido nos annaes gloriosos da patria os nomes de Trancoso e de Atoleiros, de Aljubarrota e de Valverde, de D. João I e de Nuno Alvares Pereira, a geração que praticára esses feitos estava ainda vibrante de energia, o cerebro que concebera a reorganisação nacional estava scintillante de idéas. Foi então que Vasco de Lobeira devaneou o Amadis de Gaula, que Fernão Lopes fez trasbordar nas suas inimitaveis chronicas a exuberancia poetica da alma nacional, que os architectos e os canteiros fizeram desabrochar no campo da peleja a flor maravilhosa da Batalha, que o infante D. Henrique sonhou a epopéa dos descobrimentos.

Quando uma nação acaba de se empenhar n’uma lucta aventurosa de muitos annos custa-lhe a voltar de novo ás occupações serenas da paz. Ha em todos os espiritos uma sede de aventuras, uma necessidade