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NOTAS Á 2.ª EDIÇÃO


 

Este livro, seccamente atirado á publicidade, sem amparos de qualquer natureza, para que os protestos contra as falsidades que acaso encerrasse se exercitassem perfeitamente desafogados, conquistou — franca e espontanea — expressa pelos seus melhores orgãos, a grande sympathia nobilitadora da minha terra, que não solicitei e que me desvanece. Os unicos deslizes apontados pela critica são, pela propria desvalia, bastante eloquentes no delatarem a segurança das ideias o proposições aventadas.

É o que demonstra esta resenha rapida:

...desabrigadas de todo ante a acidez corrosiva dos aguaceiros tempestuosos...

(pag. 18)

Viu-se nesta phrase uma inexactidão e um dos imaginosos traços do meu apedrejado nephelibatismo scientifico.[1]

Ora, escassciando-me o tempo para citar auctores, limito-me a apontar a pagina 168 da Geologia do Contejean sobre a erosão das rochas: des actions physiques et chimiques produites par les eaux pluviales plus ou moins chargées d’acide carb mique — principalement sur les roches les plus attaquables aux acides, comme les calcaires, etc.

Para o caso especial do Brazil, encontra-so ainda á pagina 151 do livro do Em. Liais, sobre a nossa conformação geologica, a caracterisação do phenomeno que «se montre en très grande échelle, sans doute à cause de la frequence et de l’acidité des pluies d’orage.»

No emtanto o critico leceiona: «Nem as chuvas causam erosões por conterem algumas moleculas a mais de nitro ou de ammoniaco, senão pela rijesa da camada horizontal superior em relação ás camadas molles inferiores, etc.»

Extraordinaria geologia, esta...

  1. Revista do Centro de Letras a Artes, de Campinas. N.º 2, de 31 de Janeiro de 1903.