Página:Os Maias - Volume 2.pdf/535

Esta página foi revisada, mas ainda precisa ser validada
OS MAIAS
525

Desceram ao jardim. Um momento seguiram calados pela alea onde cresciam outr’ora as roseiras de Affonso. Sob as duas olaias ainda existia o banco de cortiça; Maria sentára-se alli, na sua visita ao Ramalhete, a atar n’um ramo flôres que ia levar como reliquia. Ao passar Ega cortou uma pequenina margarida que ainda floria solitariamente.

— Ella continúa a viver em Orléans, não é verdade?

Sim, disse Carlos, vivia ao pé d’Orléans, n’uma quinta que lá comprára, chamada Les Rosières. O noivo devia habitar nos arredores algum pequeno château. Ella chamava-lhe «visinho». E era naturalmente um gentilhomme campagnard, de familia séria, com fortuna...

— Ella só tem o que tu lhe dás, está claro.

— Creio que te mandei contar tudo isso, murmurou Carlos. Emfim ella recusou-se a receber parte alguma da sua herança... E o Villaça arranjou as coisas por meio d’uma doação que lhe fiz, correspondente a doze contos de reis de renda...

— É bonito. Ella fallava de Rosa na carta?

— Sim, de passagem, que ia bem... Deve estar uma mulher.

— E bem linda!

Iam subindo a escadinha de ferro torneada que levava do jardim aos quartos de Carlos. Com a mão na porta da vidraça, Ega parou ainda, n’uma derradeira curiosidade: