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adoptaram-nas como artigos de fé, exaggeraram-n’as até ao absurdo.
Convinham ellas por ir ao encontro da sua falta de uma larga intelligencia do mundo e do homem e facilitar-lhes uma critica terra-á-terra de seminaristas mnemonicos.
Para mais perfeito ensinamento dos leitores. voulhes repetir um trecho de conversa que ouvi entre trez dos taes poetas da Bruzundanga, adeptos extremados da Escola Samoyeda.
Quando cheguei, elles já estavam, sentados em torno da meza do café. Acabava eu de assistir uma aula de geologia na Faculdade de Sciencias do paiz; o meu espirito, vinha cheio de silhuetas de monstros de outras epochas geologicas. Eram ichtyosauros, megatherios, mamuths; era do sinistro pterodactylo que eu me lembrava; e não sei porque, quando deparei os trez poetas samoyedas me deu vontade de entrar no botequim e tomar parte na conversa delles.
A Bruzundanga, como sabem, fica nas zonas tropical e sub-tropical, mas a esthetica da escola pedia que elles se vestissem com pelles de urso, de rennas, de martas e raposas articas.
É um vestuario barato para os samoyedas authenticos, mas carissimo para os seus parentes literarios dos tropicos.
Estes, porém, crentes na efficacia da vestimenta para a creação artistica, morrem de fome, mas vestem-se á moda da Siberia.
Estavam assim vestidos, naquella tarde, quente, ali naquelle café da capital da Bruzundanga, trez dos seus no-