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LIMA BARRETO

fetiches, isolando-os, fazendo-os perder a sua funcção natural que suppõe sempre a obra literaria como fim. É ella, a sua concepção, a idéa anterior que a domina e o seu destino necessario, que unicamente regulam o empre. go delles, graduam o seu uso, a sua necessidade, e como que ella mesma os dita.

Todos os samoyedas limitavam-se quando se tratava dos taes assumptos, a fallar muito de um modo confuso, esotericamente, em forma e fundo, com tregeitos de feiticeiros tribaes.

Não nego que houvesse entre elles alguns de valor, mas os preconceitos da escola os matava. A maioria ia para ella, porque era commoda no fundo, pois não pedia se communicasse qualquer emoção, qualquei pensamento, qualquer importante revelação de nossa alma que interessasse outras almas; que se dissesse usando dos processos artisticos, novos ou velhos, de um pouco do universal que ha em nós, alguma cousa do mysterio do universo que o nosso espirito tivesse percebido e determinasse transmittil-a; enfim um julgamento, um conceito que pudesse influir no uso da vida, na nossa conducta e no problema do nosso destino, empregando os factos simples, elementares, as imagens e os sons que por si sós não exprimiriam a idéa que se procura, mas que se acha com elles e se vae além por meio delles.

Isto de Hegel, de Taine, de Brunetière, não era com os sambyedas; a questão delles era encontrar uma especie de taboada que lhes fizesse multiplicar a versalhada. Como as taes regras poeticas do supposto principe erani bem accessiveis á sua paciencia de correcionaes,