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por ti, velha mulher, espectro macilento, cuja sagrada lembrança me fez realisar tão rudes lavores, aprender tanta cousa ardua, passar tanta noite gelada sem somno e sem manto! Sem ti, sem o amor que tc sagrei, eu jámais seria nada. — Porque me abandonares quando eu ia ser alguma cousa? Tiras- me um premio que eu mereci; — era ver-te feliz, e morres no mais feio dia de nossa miséria, na mais aspera de nossas fadigas! Mãi ingrata! que te fiz, para que me desfolhes meu unico desejo de gloria, minha só esperança na vida, o honesto orgulho de ser um bom filho!... Velho seio resequido que aleitaste seis homens e meio, recebe esse beijo de exprobração, de dôr e amor !...

(Lança-se sobre ella em soluços.)

Ai de mim! minha mãi morreu!...


Até aqui J. Sand mostrou duas cousas — o poeta e o filho : o poeta, na sua luta corpo a corpo com a socie¬ dade escoroavel; o filho, na sua desesperança junto ao cadaver da velha Meg. Depois vem o amor — Jane e Agandecca; Jane, o primeiro amor, a primeira illusão que finda num descrer no amor da mulher, ao sentir-lhe estatuado áquelle collo de anjo.


Mulher! mentira! não existe»! és apenas uma palavra, sombra ou sonho. —- Creárão-te poetas, teu phantasma dorme no céo talvez. Cri-o ás vezes passar por mim em minhas nuvens. Louco que fui, porque desci-me á terra a busca-la?

Entre o cadaver de sua mãi e a desillusão do que tanto lhe corrêra de bello em sua poesia moça, da porta do quarto miserável elle pende ás bordas do abysmo.